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Como os buracos de um crivo, apertadas,
As filas de janelas; empurrando se,
As casas tocam se de perto, erguendo se
Pardas e inchadas como estranguladas.
Engalfinhadas umas nas outras vejo
No carro eléctrico as duas fachadas
De gente, descarregando olhares, caladas,
E cresce o emaranhado do desejo.
As paredes são finas como a pele,
Todos me ouvem quando choro, ou então
É como um berro a conversa ciciada:
Emudecidos, em caverna fechada,
Sem ninguém que lhes toque, olhe para eles,
Todos estão longe e sentem: solidão.
Alfred Wolfenstein 1914 (tradução de João Barrento)
Foto:Maury Perseval
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