domingo, março 23, 2008

Mãos



Digo
"as minhas mãos são água"
quando imersas
no secular fluir deste riacho
(temerosa timidez
que se diverte,
faz bailar seixos
e os barcos de papel).

Digo
"as minhas mãos são água",
quando à noite,
fascinadas, reflectem as estrelas,
do solene dossel desce o silêncio,
e procuram, também elas, luz no mar.

Digo
"as minhas mãos são água"
pois são geladas
e nada mais encontraram
que agarrar.

Manuel Filipe, in "Tempo de Cinza", pág.44, Apenas Livros

Imagem daqui

4 comentários:

Lola disse...

Wind,

Bom dia.

Este blog alimenta-nos de poesia.

Beijos

mcorreia disse...

um abraço enorme pelo apoio incondicional, pelas palavras
boa Páscoa

Paula Raposo disse...

Sempre belo o que escreve o Manuel Filipe!!

Su disse...

belo

jocas maradas.......sempre