sábado, dezembro 22, 2007

José Régio (17 de Setembro de 1901- 22 de Dezembro de 1969)



Cântico

Num impudor de estátua ou de vencida,
coxas abertas, sem defesa… nua
ante a minha vigília, a noite, e a lua,
ela, agora, descansa, adormecida.

Dos seus mamilos roxo-azuis, em ferida,
meu olhar desce aonde o sexo estua.
Choro… e porquê? Meu sonho, irreal, flutua
sobre funduras e confins da vida.

Minhas lágrimas caem-lhe nos peitos…
enquanto o luar a numba, inerte, gasta
da ternura feroz do meu amplexo.

Cantam-me as veias poemas nunca feitos…
e eu pouso a boca, religiosa e casta,
sobre a flor esmagada do seu sexo.

Foto:Stanmarek

PS: Foi graças ao Papagueno que me lembrei do aniversário da sua morte.

3 comentários:

Carreira disse...

Desejo um bom Natal às autoras do blogue e a todos os seus leitores.

José Carreira

(www.cegueiralusa.com)

papagueno disse...

Também só me lembrei porque sei que ele faleceu dois dias antes de uma data muito importante para mim.
Beijos

Paula Raposo disse...

Um poema maravilhoso. Os artistas, entre eles, os Poetas, são imortais.