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Rangia entre nós dois a música da areia
como se fosse Agosto a dedilhar um sistro
Agora está fechada a casa onde te amei
onde à noite uma vez devagar te despiste
Floresça o clavicórdio em pleno mês de Outubro
Na harpa de Setembro entrelaçou-se a vinha
A que vem de repente entre os dois este muro
feito de solidão de sal de marés vivas
Podia conjurar-te a que não me esquecesses
mas é longe do Mar que os navios são tristes
De que serve o convés com a sombra das redes
Quis a tua nudez Não quis que te despisses
David Mourão-Ferreira
Foto:Yuri Bonder
3 comentários:
Nunca tinha ouido esta interpretação do Avé-Maria. Interessante. O poema do DMF belo, como sempre.
Parece que é hoje que vou pôr as visitas em dia :) Tens um desafio no meu canto, vê lá se não foges desta vez.
Beijinhos
A nudez da alma acima de tudo.
Lindoooooooo!
Beijocas
Deixa-me sem palavras a sensualidade da poesia de DMF. Que repito sempre: adoro!!
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