sexta-feira, novembro 19, 2010

O amor



É uma coisa que desliza
por cima das lagoas
que corre pelos campos sem sentido
que empurra o vento
e apruma o sol no solstício
que derruba a bruma e fecha o horizonte
que nos faz ver de noite e de dia cegos
tacteando o ar sem provimento
que dá o movimento aos astros
e às sombras infinitas
que abre o mar por onde os escravos passam
e ficam livres sem saber
é a cascata que nos dilui
e lança na corrente sem perfídia
até ao oceano dos sentidos
é o iceberg que se funde
e derrota os titanics
que passam solitários pelas albas
é o assombro da manhã
o cantar dos ralos nas searas
o despertar das aves e rebanhos
o charco onde crescem amarelo e roxo
as flores da primavera

é só eu e tu
como nas novelas

Henrique Ruivo

Imagem retirada do Google

2 comentários:

Observador disse...

O amor não gela, como a foto pode fazer crer.

O texto é interessante e pertence a mais um - ai o que nós desconhecemos - que não fazia a mínima ideia existir.

Bj

Fatyly disse...

Desconhecia e adorei este hino ao amor. A foto é fabulosa...dois em um:)

Beijocas