terça-feira, novembro 30, 2010

Caleidoscópio



Tu e o Mundo
caleidoscópio
onde perscruto
enquanto posso
o que é fecundo
por trás do óbvio
Atrai-me o fluido
mais do que o sólido
Só me seduzem
na praia as rochas
na terra os muros
se acaso escorrem
de mar ou chuva
Que vale o bosque
sem o sussurro
das altas copas
De vulto a vulto
o que me empolga
é ver o fluxo
sentir as trocas
ou os conluios
do que se evola
E sobretudo
na luz nos olhos
de quem se busca
Assim tu própria
perante o Mundo
caleidoscópio
em que mergulho
Oh turva glória
Trago do fundo
pedras informes
cristais avulsos
Só te constroem
quando os destruo
Então de sólida
tornas-te fluida
Tal como a 'stória
do próprio Mundo
Divagas Vogas
em mar em chuva
líquido bosque
sob o sussurro
das altas copas
toda lacustre
enfim tão próxima
do que procuro
e me renova

David Mourão Ferreira

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Observador disse...

Obviamente ... David Mourão Ferreira.

Bj

Fatyly disse...

Não conhecia e de facto um poema sonante que nos dá asas à imaginação! Gostei imenso.

Beijocas e um bom serão

Paula Raposo disse...

Maravilha, maravilha!!
Beijos.