sábado, novembro 06, 2010

Descobrimento



Um oceano de músculos verdes
Um ídolo de muitos braços como um polvo
Caos incorruptível que irrompe
E tumulto ordenado.
Bailarino contorcido
Em redor dos navios esticados
Atravessamos fileiras de cavalos
Que sacudiam as crinas nos alísios
O mar tomou-se de repente muito novo e muito antigo
Para mostrar as praias
E um povo
De homens recém-criados ainda cor de barro
Ainda nus ainda deslumbrados

Sophia de Mello Breyner Andresen

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Observador disse...

Sophia escreve muito bem.

P.S. - Em jeito de piada: a foto é do polvo Paul?

Kiss

Fatyly disse...

Já tinha lido mas não consegui comentar...raio do pc:)

Gostei imenso e o polvo está magnífico!

Beijos e um bom serão

Paula Raposo disse...

Maravilha de poema!! Só podia...