terça-feira, abril 12, 2011

Teu rosto de desastres e tormentas



Teu rosto de desastres e tormentas
e risos lágrimas e sol e vento
teu rosto de marés e vagas lentas
em que o prazer é quase sofrimento

e o sofrimento é como rosa roxa
florindo devagar em tua boca
se a minha mão te chicoteia a coxa
e no teu corpo há uma égua louca.

Começam então as tuas doces queixas
e vais para um país onde desmaias
quando o sol no teu rosto acende flechas.

E eu temo que te percas e não saias
do abismo em que te abres e te fechas
de cada vez que te levanto as saias.

Manuel Alegre

Imagem retirada do Google

4 comentários:

Observador disse...

Que soneto lindo!!!

Bj

Paula Raposo disse...

Eu não gosto quando as rimas me parecem forçadas.

Fatyly disse...

Já tinha lido este soneto de Alegre e sinceramente não gosto da forma que ele junta o prazer com o sofrimento!
Enfim:)

Beijocas

A. Jorge disse...

Bela escolha! Belo soneto!

Beijos

Jorge

http://escarniosmaldizeres.blogspot.com/