sábado, abril 16, 2011

Post Scriptum



Agora regresso à tua claridade.
Reconheço o teu corpo, arquitectura
de terra ardente e lua inviolada,
flutuando sem limite na espessura
da noite cheirando a madrugada.

Acordaste na aurora, a boca rumorosa
dum desejo confuso de açucenas;
rosa aberta na brisa ou nas areias,
alta e branca, branca apenas,
e mar ao fundo, o mar das minhas veias.

Estás de pé na orla dos meus versos
ainda quente dos beijos que te dei;
tão jovem, e mais que jovem, sem mágoa
- como no tempo em que tinha medo
que tropeçasses numa gota de água.

Eugénio de Andrade

Imagem retirada do Google

4 comentários:

Fatyly disse...

Gostei imenso sentir esta serenidade. Lindissimo!

Beijocas e um bom dia

Nilson Barcelli disse...

Nunca me canso de ler a poesia de Eugénio de Andrade.
Querida amiga, bom fim de semana.
Beijos.

Observador disse...

Gosto.

Paula Raposo disse...

Uma delícia de poema!!