terça-feira, abril 05, 2011

Canção (2)



Tu eras neve.
Branca neve acariciada.
Lágrima e jasmim
no limiar da madrugada.
Tu eras água.
Água do mar se te beijava.
Alta torre, alma, navio,
adeus que não começa nem acaba.

Eras o fruto
nos meus dedos a tremer.
Podíamos cantar
ou voar, podíamos morrer.

Mas do nome
que maio decorou,
nem a cor
nem o gosto me ficou.

Eugénio de Andrade

Imagem retirada do Google

2 comentários:

Fatyly disse...

Um passado marcante nas mãos deste grandioso poeta. Gostei imenso!

Beijocas e um bom dia

Observador disse...

Bom trabalho de Eugénio de Andrade.
:)