quarta-feira, abril 27, 2011

Amor



Nas largas mutações perpétuas do universo
O amor é sempre o vinho enérgico, irritante...
Um lago de luar nervoso e palpitante...
Um sol dentro de tudo altivamente imerso.

Não há para o amor ridículos preâmbulos,
Nem mesmo as convenções as mais superiores;
E vamos pela vida assim como os noctâmbulos
à fresca exalação salúbrica das flores...

E somos uns completos, célebres artistas
Na obra racional do amor -- na heroicidade,
Com essa intrepidez dos sábios transformistas.

Cumprimos uma lei que a seiva nos dirige
E amamos com vigor e com vitalidade,
A cor, os tons, a luz que a natureza exige!...

Cruz e Sousa

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Observador disse...

Onde vais descobrir essa gente que tão bem escreve?

;)

Fatyly disse...

Também não conhecia e fui dar uma espreitada para saber quem era...filho de escravos, escravo era né? mas teve a sorte de ter sido acolhido e protegido e a sua obra deve ser bela como este poema.

Obrigado amiga por divulgares e com tempinho vou ler mais deste poeta brasileiro!

Acho que não me enganei:)

Beijocas

Paula Raposo disse...

Escolheste um poema lindíssimo para o dia do meu aniversário! E só o li hoje...beijos.