terça-feira, abril 19, 2011

Só no vislumbre do ócio



Só no vislumbre do ócio ou quando o vagar desliza
lucidamente pela minha fronte
eu vejo a graciosa e flexível coerência do teu corpo
com os seus bosques e jardins e suas ilhas túmidas
E então escrevo como se as letras tivessem a frescura de
leves iniciais
e estendo cada verso como uma tapeçaria voluptuosa
para os teus pés de uma brancura redonda
Lúcidas constelações de ébria claridade
as palavras envolvem-te dilatando-se
como se o mar as movesse e elas fossem os adolescentes barcos
que trouxesem as oferendas e os tesouros submarinos
Há palavras que têm o fresco odor de laranjas
porque nascem do teu bafo primaveril
Em todas elas é o espaço do teu corpo que eu habito
e vou lavrando a monótona maresia do mundo como um
boi velho

António Ramos Rosa

Imagem retirada do Google

2 comentários:

Observador disse...

Aos poucos vou, graças a ti, aprendendo a apreciar António Ramos Rosa.

Obrigado

Fatyly disse...

O amor, sempre o amor tão presente neste poeta algarvio. Gostei imenso!

Beijocas