quinta-feira, outubro 02, 2008

Ofício de Amar



Já não necessito de ti
Tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
Tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio
De outras galáxias, e o remorso.....

.....um dia pressenti a música estelar das pedras
abandonei-me ao silêncio.....
é lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração
não, não preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas

ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponível, perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade do meu próprio corpo.

Al Berto

Foto:Piotr Kowalik

4 comentários:

Alien8 disse...

Wind,

Belo poema do Al Berto, como quase todos os que escreveu, talvez mesmo todos... e bem sublinhado na foto.

Beijinhos.

Fatyly disse...

Quando estou em baixo ou conforme digo: com os pneus em baixo, jamais procuro leituras que me sufoquem ainda ainda mais.

Este nosso poeta tem coisas tão tristes, mas tão tristes mas lá terá tido as suas razões...e "Oficio de Amar" mais parece uma certidão de óbito anunciada.

Gostei muito da foto!

Bom dia, bom dia, bom dia, bom dia :)*********

Paula Raposo disse...

Sempre bom reler Al Berto! Beijos.

Menina_marota disse...

Al Berto. Inconfundível!
Bj