domingo, outubro 05, 2008

A força do hálito



A força do hálito é como o que tem que ser.
E o que tem que ser tem muita força.

Vai (ou vem) um sujeito, abre a boca e eis que a gente,
que no fundo é sempre a mesma,
desmonta a tenda e vai halitar-se para outro lado,
que no fundo é sempre o mesmo.

Sovacos pompeando vinagres e bafios,
não são nada --bah...-- em comparação
com certos hálitos que até parece que sobem do coração.

"Ai onde transpira agora
o bom sovaco de outrora!"

Virilhas colaborando com parentesis ou cedilhas
são autênticas (e sem hálito) maravirilhas.
Quando muito alguns pingos nos refegos, nas braguilhas,
amoniacal bafor que suporta sem dor
aquele que está ao rés de tal teor.

Mas o mau hálito é pior que a palavra
sobretudo se não for da tua lavra.

Da malvada, da cárie ou, meu deus, do infinito,
o mau hálito é sempre, na narina,
como o baudelaireano, desesperado grito
da "charogne" que apodrecer não queria.

Alexandre O'Neill

cartoon retirado do Google

5 comentários:

Fatyly disse...

Um grande poema de Alexandre com metáforas fantásticas.

Um bom domingo:)

Beijocas

polittikus disse...

Um poema dedicado à boca do nosso Primeiro Ministro de certeza... Pelo cheiro só podde. Gostei do poema.

Maresia disse...

Grande poema!

Lola disse...

Wind,

O O´Neil a fazer-me rir.

Mas como o compreendo.

Beijos

Paula Raposo disse...

É mesmo. Excelente O'Neill!