sábado, março 09, 2013

De esperas construímos o amor intenso e súbito


De esperas construímos o amor  intenso e súbito
que encheu as tuas mãos de sol e a tua boca de beijos.
Em estranhos desencontros nos amamos.
Havia o rio mas sempre ficávamos na margem.
Eu tocava o teu peito e os teus olhos e, nas minhas mãos,
a tarde projectava as suas grandes sombras
enquanto as gaivotas disputavam sobre a água
talvez um peixe inquieto, algo que nunca pudemos ver.
As nossas bocas procuravam-se sempre, ávidas e macias
E por muito tempo permaneciam assim, unidas,
Machucando-se, torturando as nossas línguas quase enlouquecidas.
Depois olhávamo-nos nos olhos
No mais profundo silêncio. E, sem palavras,
Partíamos com as mãos docemente amarradas e os corações estoirando uma alegria breve
Quando a noite descia apaixonada
Como o longo beijo da nossas despedida.
Nuno Júdice

Imagem retirada do Google 

6 comentários:

Observador disse...

5 *****

Bj

Fatyly disse...

tu descobres autênticas pérolas...que maravilha e a foto é genial.

Beijocas e agora vou dormir:)

Nilson Barcelli disse...

Um dos bons poemas do Nuno Júdice.
Gostei de o reler, pois já o conhecia.
Isabel, minha querida amiga, tem um bom resto de domingo e uma boa semana.
Beijos.

FireHead disse...

Gostei da parte em que se toca no peito... hoje em dia, devido aos brasileiros, já se diz no plural, ou seja, nos peitos. :)

wind disse...

Dizem mesmo mal, é singular:)

FireHead disse...

Brasileirices, amiga. :)