quarta-feira, novembro 21, 2012

Retrato Ardente



No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra. 

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre. 

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio. 

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha


Eugénio de Andrade

Imagem retirada do Google

2 comentários:

Fatyly disse...

Excelente esta ternura de Eugénio e a foto é lindissima.

Beijos garota linda:):) e um bom dia

Observador disse...

Uma espécie de "fogo que arde sem se ver"?

Bj