quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Soneto de amor difícil



A praia abandonada recomeça
logo que o mar se vai, a desejá-lo:
é como o nosso amor, somente embalo
enquanto não é mais que uma promessa...

Mas se na praia a onda se espedaça,
há logo nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça.

Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio de morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe
de súbito surgido à flor dos limos.

E deste amor difícil só nasceu
desencanto na curva do teu céu.

David Mourão-Ferreira

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Fatyly disse...

Fabuloso e não conhecia!

Beijocas e um bom dia

Márcia Maia disse...

belo demais!
1beijo daqui.

Observador disse...

David Mourão-Ferreira, o (bom) costume.

Bj