sexta-feira, fevereiro 11, 2011

O mar



Ondas que descansam no seu gesto nupcial
abrem-se caem
amorosamente sobre os próprios lábios
e a areia
ancas verdes violetas na violência viva
rumor do ilimite na gravidez da água
sussurros gritos minerais inércia magnífica
volúpia de agonia movimentos de amor
morte em cada onda sublevação inaugural
abre-se o corpo que ama na consciência nua
e o corpo é o instante nunca mais e sempre
ó seios e nuvens que na areia se despenham
ó vento anterior ao vento ó cabeças espumosas
ó silêncio sobre o estrépito de amorosas explosões
ó eternidade do mar ensimesmado unânime
em amor e desamor de anónimos amplexos
múltiplo e uno nas suas baixelas cintilantes
ó mar ó presença ondulada do infinito
ó retorno incessante da paixão frigidíssima
ó violenta indolência sempre longínqua sempre ausente
ó catedral profunda que desmoronando-se permanece!

António Ramos Rosa

Imagem retirada do Google

4 comentários:

Fatyly disse...

Um pouco compacto e bem à moda antiga:) mas mesmo assim gostei.

Beijocas e um bom dia que eu vou numa de SOS avó à neta mais velha que está de molho:)

Paula Raposo disse...

Um poema imenso! A foto é lindíssima.
Beijos.

Observador disse...

António Ramos Rosa que desconheço mas que me parece escrever bem, com alma.

O mar. É presença marcante em mim.

Alien8 disse...

Olá Wind,

Ando a ver se volto aos blogs... devagarinho. Pelo que aqui li, vale a pena voltar! Um beijo.