sábado, outubro 16, 2010

Labirinto ou alguns lugares de amor



O outono
por assim dizer
pois era verão
forrado de agulhas

a cal
rumorosa
do sol dos cardos

sem outras mãos que lentas barcas
vai-se aproximando a água

a nudez do vidro
a luz
a prumo dos mastros

os prados matinais
os pés
verdes quase

o brilho
das magnólias
apertado nos dentes

uma espécie de tumulto
as unhas
tão fatigadas dos dedos

o bosque abre-se beijo a beijo
e é branco

Eugénio de Andrade

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Fatyly disse...

Um poema magnífico e a foto é tão linda.

Beijocas e um bom sábado

Observador disse...

Que maravilha!!!

Paula Raposo disse...

Sublime Eugénio!
Linda a foto que escolheste. Beijos.