quinta-feira, outubro 21, 2010

À beira de água



Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.

Eugénio de Andrade

Imagem retirada do Google

4 comentários:

Fatyly disse...

Tão bonito e sensível. Adorei!

Beijos e um bom dia

Observador disse...

Muito bonito.
Enternecedor mesmo.

Bj

Janaina Cruz disse...

O silêncio tantas vezes nos diz muito, as vezes nos ensurdece de tanto gritar, e nós ficamos a espera de que algo se mova...

Paula Raposo disse...

Excelente foto escolhida para um excelente poema, claro!
Beijos.