segunda-feira, outubro 11, 2010

A cavalo no vento



A cavalo no vento sobrevoo
o destino sombrio deste porto,
aonde um rio vem morder o vulto
do mar confuso.
Ó mar despedaçado,
mordido em tanto flanco, o sobressalto
dos teus ombros nervosos já sacode
a terra toda!

E para quê mais portos
agressores, estaleiros rancorosos,
onde em surdina e sombra se conspira
contra a vida. . .?

. . . Contra a vida do mar e o seu poder
que só um corpo nu deve merecer!

David Mourão Ferreira

Foto:Igor Laptev

4 comentários:

Fatyly disse...

Um grande poema!

Beijocas

Nilson Barcelli disse...

Excelente escolha.
Como sempre, querida amiga.
Boa semana, beijos.

Observador disse...

Porque será que David Mourão Ferreira não escrevia nada sem jeito?

Lindo!

Paula Raposo disse...

Qualquer poema do DMF é fabuloso: as palavras saltam dele para fora.
Beijos.