segunda-feira, julho 12, 2010

Há festas na vida



A estrela da manhã é uma festa
para quem perdeu o norte...
e o meu norte é o poente
essa grande festa de vermelho e azul
de pássaros e mar
de força e harmonia!

Escuto lá longe o barulho ensurdecedor
dos tambores das marimbas e dos kissanges
era a grande festa do fogo da noite e dos negros
as chamas consumiam a dança
no seu rodopio fantástico
e havia vozes
muitas vozes em coro síncrono
os mukixes saltitavam entre o cacimbo e o fumo
o feiticeiro perscrutava o céu a lua
e atirava terra para o ar
em gestos rápidos
delirantes
virava a cara para o chão e falava
falava

eu
menino e branco
junto ao embondeiro
olhos grandes para o batuque
para os corpos pintados agitados transpirados
alados

a vida não é uma festa
mas há festas na vida.

António Cardoso Pinto (Angola)

Imagem retirada do Google

4 comentários:

Observador disse...

E há vida nas festas.

(Trocadilho com a devida vénia para com António Cardoso Pinto).

Fatyly disse...

"eu
menina e branca
junto ao embondeiro"....

ai rapariga o que foste desencantar e sabes que ouvi o som "dos tambores das marimbas e dos kissanges"?

Já anotei porque não me recordo que tenha lido algo dele.

A D O R E I!!!!

Beijocas e um bom serão

Márcia Maia disse...

Tem um que de Manuel Bandeira.
Gostei muito.
Beijo.

Paula Raposo disse...

Gostei muito deste poema. Não conhecia.
Beijos.