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Devo igualar-te a um dia de Verão?
Mais afável e belo é o teu semblante:
O vento esfolha Maio inda em botão,
Dura o termo estival em breve instante.
muitas vezes a luz do céu calcina,
Mas o áureo tom também perde clareza:
De seu belo a beleza enfim declina,
Ao léu ou pelas leis da Natureza,
Só teu verão eterno não se acaba
nem a posse de tua formosura;
de impor-te a sombra a Morte não se gaba
Pois que esta estrofe eterna o Tempo dura.
Enquanto houver viventes nesta lida,
Há de viver meu verso e te dar vida.
William Shakespeare
Foto: Andrzej Dragan
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