quinta-feira, julho 25, 2013

A noite chega com todos os seus rebanhos



Uma cidade amadurece nas vertentes do crepúsculo
Há um íman que nos atrai para o interior da montanha.
Os navios deslizam nos estuários do vento.
Alguma coisa ascende de uma região negra.
Alguém escreve sobre os espelhos da sombra.
A passageira da noite vacila como um ser silencioso.
O último pássaro calou-se.As estrelas acenderam-se.
As ondas adormeceram com as cores e as imagens.
As portas subterrâneas têm perfumes silvestres.
Que sedosa e fluida é a água desta noite!
Dir-se-ia que as pedras entendem os meus passos.
Alguém me habita como uma árvore ou um planeta.
Estou perto e estou longe no coração do mundo. 


António Ramos Rosa

Imagem retirada do Google

4 comentários:

Fatyly disse...

Os passos que nos dão asas ao pensamento...

Como sempre, gostei:)

Beijocas

Observador disse...

Leio uma coisa bonita mas a Fatyly fala em ... passos. :(

Bj

wind disse...

lol

Nilson Barcelli disse...

Uma excelente visão poética da noite.
Gostei de ler, embora já conhecesse.
Isabel, querida amiga, tem um bom resto de semana.
Beijos.