quinta-feira, março 03, 2011

As palavras e o desejo



Por vezes perdem a sombra
e rodam pálidas sem a seiva do vento.
Raramente vêm carregadas de frutos, de pedras e flores
ou apenas do seu silêncio de fogo.
Quando as línguas indolentes nos envolvem
na espuma das suas sílabas
é que os olhos do mundo nos olham através das imagens
e o enigma se aproxima silencioso e cúmplice
do nosso abandono deslumbrado
no volume côncavo do tempo.
Mas por vezes as palavras já não reflectem qualquer luz
e descem por escadas negras
até às primeiras águas e às redondas sombras
em que o silêncio é o puro silêncio sem imagens.

António Ramos Rosa

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Observador disse...

Que texto tão ... tudo!!!

Imagam (foto) a condizer.

Bj

Paula Raposo disse...

Sempre belo o Poeta!

Fatyly disse...

Rosa e a sua relação comparativa entre a postura do homem e a natureza e de repente vi e senti o actual
cenário político!
Adorei!

Beijocas