quinta-feira, agosto 26, 2010

O encontro



Como se um raio mordesse
meu corpo pêro rosado
e o namorado viesse
ou em vez do namorado

um novilho atravessasse
meus flancos de seda branca
e o trajecto me deixasse
uma açucena na anca

como se eu apenas fosse
o efeito de um feitiço
um astro me desse um couce
e eu não sofresse com isso

como se eu já existisse
antes do sol e da lua
e se a morte me despisse
eu não me sentisse nua

como se deus cá em baixo
fosse um cigano moreno
como se deus fosse macho
e as minhas coxas de feno

como se alguém dos espaços
me desse o nome de flor
ou me deixasse nos braços
este cordeiro de amor.

Natália Correia

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Fatyly disse...

A força dos poemas desta mulher era algo soberbo e atrevia-me a dizer que ela e o Ary dos Santos foram uma dupla de poetas sensacionais.

Beijocas e um bom dia

Paula Raposo disse...

Sempre potentes as palavras e as imagens da Natália! Maravilha!
Beijos, Isabel.

Observador disse...

Parece haver magia na escrita de Natália Correia.

Bj