terça-feira, agosto 17, 2010

Luz no círculo



Repousa no espaço da noite. Repousa.
Vê as estrelas
dançando nos pinheirais.
Vê os lagos que se recolhem ao vazio.
O vazio de todas as coisas:
o fundo milagroso onde o centro existe.
Porque tu ainda és uma flor submersa,
porque tu aprendes a língua dos sonhos.

Enigmas de obeliscos nos corpos das sombras,
projecções de encontro à parede...
por trás dos cortinados um hieróglifo carnal,
um silêncio,
o sangue do cântico nas águas do regato.
Deixa-te levar no fluxo do círculo polifónico,
deixa-te rolar pelo moinho das coisas.
Mais leve que a pena, desce a ti.

Febril como uma bailarina entre rosas,
a mão toca as coisas e ao tocá-las transforma-as.
Nada é o que já foi.
As palavras são espaços redondos, frutos que se
geram na luz dos sentidos...
Agora, aprendes que definir uma rosa é o mesmo
que definir o mundo.

Luís Costa

Imagem retirada do Google

2 comentários:

Fatyly disse...

Tal e qual...inédito e maravilhoso!

Beijocas e uma boa tarde

Observador disse...

Excelente!

;)