domingo, abril 28, 2013

Eu nunca fui dos que a um sexo o outro



Eu nunca fui dos que a um sexo o outro
No amor ou na amizade preferiram.
Por igual a beleza apeteço
Seja onde for, beleza.
Pousa a ave, olhando apenas a quem pousa
Pondo querer pousar antes do ramo;
Corre o rio onde encontra o seu retiro
E não onde é preciso.
Assim das diferenças me separo
E onde amo, porque o amo ou não amo,
Nem a inocência inata quando se ama
Julgo postergada nisto.
Não no objecto, no modo está o amor
Logo que a ame, a qualquer cousa amo.
meu amor nela não reside, mas
Em meu amor.
Os deuses que nos deram este rumo
Também deram a flor pra que a colhêssemos
com melhor amor talvez colhamos
O que pra usar buscamos.


Ricardo Reis

Imagem retirada do Google 

2 comentários:

Fatyly disse...

"Não no objecto, no modo está o amor
Logo que a ame, a qualquer cousa amo.
meu amor nela não reside, mas
Em meu amor."

...bué complicado

Para mim foi e é a faceta mais complicada de interpretar Fernando Pessoa, muito virada para si e ao mesmo tempo abstracta e além horizonte...olha sinceramente não sei:):):):):

Beijocas e um bom domingo

Observador disse...

Um texto para ler, e perceber, nas entrelinhas.

Bj