domingo, abril 14, 2013

Dedo apontado



Aponto o dedo para a lua,
e a luz branca escorre, lenta,
pelo escuro.
No Tejo uma falua,
desgarrada,
que, condenada
foge do próprio futuro.
Nem uma nuvem tolda o meu presente,
que desliza, inconsciente, 
para o nada.
O silêncio é a verdade nua e crua.
Algures, morre o passado,
e eu estou ausente,
com o dedo apontado para a lua.

Manuel Filipe, in"À Beira de Cesário", pág.62

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Observador disse...

É bonito, o texto.

Só que apontar o dedo á lua, em fase de 'quarto minguante', não convém.

Beijo

Fatyly disse...

Manuel Filipe fez uma obra e pêras:) Excelente!

Beijocas

Nilson Barcelli disse...

Um dedo bem apontado.
Isto é, um magnífico poema.
Um beijo, querida amiga.