quinta-feira, dezembro 08, 2011

Metamorfoses da casa



Ergue-se aérea pedra a pedra
a casa que só tenho no poema.

A casa dorme, sonha no vento
a delícia súbita de ser mastro.

Como estremece um torso delicado,
assim a casa, assim um barco.

Uma gaivota passa e outra e outra,
a casa não resiste: também voa.

Ah, um dia a casa será bosque,
à sua sombra encontrarei a fonte
onde um rumor de água é só silêncio.

Eugénio de Andrade

Imagem retirada do Google

3 comentários:

mfc disse...

A transformação do sonho que se quer realidade!
Lindíssimo...

Fatyly disse...

Subscrevo as palavras do Mfc e acrescento que não podias ter escolhido melhor foto. Dois em um! Adorei!

Beijocas

Observador disse...

Bom trabalho e bela imagem.

Bjs