quinta-feira, maio 26, 2011

Até amanhã



Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.

Eugénio de Andrade

Imagem retirada do Google

4 comentários:

Paula Raposo disse...

Fantástico Eugénio!

Mar Arável disse...

O nosso Eugénio

Fatyly disse...

Deu tudo...e ao dar também recebeu! Fantástico!

Beijocas e um bom serão

Observador disse...

Que maravilha.

Até a imagem.

:)