sábado, setembro 11, 2010

Bebido o luar



Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Fatyly disse...

Bebido este luar nas ervas dali de baixo...uma conjugação poética perfeita.

Beijocas e um bom serão

Observador disse...

Com Sophia tudo serve para beber arte.

Beijo

Paula Raposo disse...

Cada poema é uma descoberta!
Beijos.