quarta-feira, abril 07, 2010

Navio naufragado



Vinha de um mundo
Sonoro, nítido e denso.
E agora o mar o guarda no seu fundo
Silencioso e suspenso.

É um esqueleto branco o capitão,
Branco como as areias,
Tem duas conchas na mão
Tem algas em vez de veias
E uma medusa em vez de coração.

Em seu redor as grutas de mil cores
Tomam formas incertas quase ausentes
E a cor das águas toma a cor das flores
E os animais são mudos, transparentes.

E os corpos espalhados nas areias
Tremem à passagem das sereias,
As sereias leves dos cabelos roxos
Que têm olhos vagos e ausentes
E verdes como os olhos de videntes.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Foto retirada do Google

4 comentários:

Paula Raposo disse...

Lindíssimo, como não podia deixar de ser.
Beijos.

polittikus disse...

Inspirado, gostei...

Fatyly disse...

Gostei imenso e desconhecia este poema.

Boa imagem:)

Beijocas e uma boa tarde

Unseen Rajasthan disse...

Beautiful Words and fantastic shot !!Unseen Rajasthan