segunda-feira, janeiro 19, 2009

Um anjo erra (o amor confuso)



Um anjo erra
nos teus olhos diurnos

humedecido do véu
(ao fundo, a íris entardece)
seguiu de cor a revoada das pombas

místico
um arroubo ascende a prumo
do plano em que me fitas

cisnes desaguam
do teu olhar em fio
e vogam ao redor, pelo estuário da sala

ao sol-poente
os vitrais das janelas
ardem na catedral assim erguida

colocamos um sonho
em cada nicho

e no círculo formado pelas nossas bocas
subentende-se com verve
a língua.

Sebastião Alba

Foto retirada do Google

4 comentários:

Fatyly disse...

cisnes desaguam
do teu olhar em fio
e vogam ao redor, pelo estuário da sala
.............
Metáforas geniais e tocou-me tanto. Boa escolha e a foto é uma delícia.

Beijocas e um BOM DIA

Paula Raposo disse...

Pois erra...gostei do poema. Beijos.

Maria de Fátima disse...

são 300km...
vai lá dar uma forcinha
http://intervalos.blogspot.com/2009/01/convite.html

Nilson Barcelli disse...

Um soberbo poema.
Escrever assim dá imenso trabalho...
Parabéns pela escolha.
Beijo.