"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer." Einstein
Não sei como vieste, mas deve haver um caminho para regressar da morte. Estás sentada no jardim, as mãos no regaço cheias de doçura, os olhos pousados nas últimas rosas dos grandes e calmos dias de setembro.
Que música escutas tão atentamente que não dás por mim? Que bosque, ou rio, ou mar? Ou é dentro de ti que tudo canta ainda?
Queria falar contigo, dizer-te apenas que estou aqui, mas tenho medo, medo que toda a música cesse e tu não possas mais olhar as rosas. Medo de quebrar o fio com que teces os dias sem memória.
Com que palavras ou beijos ou lágrimas se acordam os mortos sem os ferir, sem os trazer a esta espuma negra onde corpos e corpos se repetem, parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim, ó cheia de doçura, sentada, olhando as rosas, e tão alheia que nem dás por mim.
Marta, Protagonista da tragédia ideada E que eu não fiz, De esperara que eu a criasse, No meu intuito adormeceu feliz. Dormiam lá também o sono antigo Ilda, Miguel, A lírica Raquel, E todos quantos Acham não ser comigo.
Aromas só E pó antes do pó.
Agora chamo-a em vão, Como quem vê levar, E não entende, Um filho no caixão. E absurdo, alta noite, Invoco a que se esconde: Marta! Marta! Onde estás?
Sinto que hoje novamente embarco Para as grandes aventuras, Passam no ar palavras obscuras E o meu desejo canta --- por isso marco Nos meus sentidos a imagem desta hora.
Sonoro e profundo Aquele mundo Que eu sonhara e perdera Espera O peso dos meus gestos.
E dormem mil gestos nos meus dedos.
Desligadas dos círculos funestos Das mentiras alheias, Finalmente solitárias, As minhas mãos estão cheias De expectativa e de segredos Como os negros arvoredos Que baloiçam na noite murmurando.
Ao longe por mim oiço chamando A voz das coisas que eu sei amar.
Ligo directo para a caixa de correio só para ouvir a tua voz, Sei que é cena fora mas todo o dia chega a hora em que o lado esquerdo chora quando se lembra de nós A vida corre tranquila, cada vez menos reguila meto guita de parte e a cabeça não vacila tanto Para minha alegria e meu espanto Pode ser que o passado fique por onde deve estar: No pretérito imperfeito, já que não é mais-que- perfeito, Este é um presente que eu aceito Para atingir a tranquilidade Que supostamente se atinge com a nossa idade A verdade é que a saudade do que passou Não é mais que muita... Mas por muita força que faça ela passa por saber que te vivi... Tu deste tudo e eu joguei, arrisquei e perdi Agora,
Muda o teu número, eu mudei o meu, Muda o teu número, eu mudei o meu, Muda o teu número, eu mudei o meu, Muda o teu Mundo que eu mudei o meu.
Cada vez que eu ligo tento deixar mensagem mas acabo por nunca arranjar a coragem Necessária Gostava apenas de partilhar contigo o quotidiano habitual Nada que se compare com as correrias doutras alturas e doutros abismos E já que falo por eufemismos Gostava de dizer que ainda gosto bastante de ti... A casa tá diferente, parece digna de gente Dá gosto sentar no sofá com a tv pela frente Comprei uma máquina de café Xpto, bem bonita, azul bebé Ocasionalmente cozinho e bebo o meu vinho E esqueço o fumo que nos dava aquele quentinho Hoje em dia é mais à base do ar condicionado Condicionei a tentação num clima controlado Quero que saibas que tou bem, sei que tu mais ou menos Sempre gostaste de brincar em perigosos terrenos Em relação a isso eu não sei o que fazer E se calhar é por isso mesmo que acabo por não dizer que a verdade é que a saudade do que passou Não é mais que muita... Mas por muita força que faça ela passa por saber que te vivi... Tu deste tudo e eu joguei, arrisquei e perdi Agora,
Muda o teu número, eu mudei o meu, Muda o teu número, eu mudei o meu, Muda o teu número, eu mudei o meu, Muda o teu Mundo que eu mudei o meu.
Quanto de ti, amor, me possuiu no abraço em que de penetrar-te me senti perdido no ter-te para sempre - Quanto de ter-te me possui em tudo o que eu deseje ou veja não pensando em ti no abraço a que me entrego - Quanto de entrega é como um rosto aberto, sem olhos e sem boca, só expressão dorida de quem é como a morte - Quanto de morte recebi de ti, na pura perda de possuir-te em vão de amor que nos traiu - Quanta traição existe em possuir-se a gente sem conhecer que o corpo não conhece mais que o sentir-se noutro - Quanto sentir-te e me sentires não foi senão o encontro eterno que nenhuma imagem jamais separará - Quanto de separados viveremos noutros esse momento que nos mata para quem não nos seja e só - Quanto de solidão é este estar-se em tudo como na auséncia indestrutível que nos faz ser um no outro - Quanto de ser-se ou se não ser o outro é para sempre a única certeza que nos confina em vida - Quanto de vida consumimos pura no horror e na miséria de, possuindo, sermos a terra que outros pisam - Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti, recebo gratamente como se recebe não a morte ou a vida, mas a descoberta de nada haver onde um de nós não esteja.
Morrer sem deixar o triste despojo da carne, A exangue máscara de cera, Cercada de flores, Que apodrecerão - felizes! - num dia, Banhada de lágrimas Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.
Morrer sem deixar porventura uma alma errante... A caminho do céu? Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?
Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra, A lembrança de uma sombra Em nenhum coração, em nenhum pensamento, Em nenhuma epiderme.
Morrer tão completamente Que um dia ao lerem o teu nome num papel Perguntem: "Quem foi?..."
Morrer mais completamente ainda, - Sem deixar sequer esse nome.
Morrer. Morrer de corpo e de alma. Completamente.
Morrer sem deixar o triste despojo da carne, A exangue máscara de cera, Cercada de flores, Que apodrecerão - felizes! - num dia, Banhada de lágrimas Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.
Morrer sem deixar porventura uma alma errante... A caminho do céu? Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?
Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra, A lembrança de uma sombra Em nenhum coração, em nenhum pensamento, Em nenhuma epiderme.
Morrer tão completamente Que um dia ao lerem o teu nome num papel Perguntem: "Quem foi?..."
Morrer mais completamente ainda, - Sem deixar sequer esse nome.
Árvores negras que falais ao meu ouvido, Folhas que não dormis, cheias de febre, Que adeus é este adeus que me despede E este pedido sem fim que o vento perde E esta voz que implora, implora sempre Sem que ninguém lhe tenha respondido?
Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face?
Cecília Meireles
Foto:Pogolsha Mishails
Este blog faz hoje 3 anos. Não sei como ainda dura porque nunca fui de ligações "amorosas" duradouras:)
Nestes 3 anos muita coisa aconteceu, conheci pessoas, cortei com outras, já comentei muito, agora comento pouco, mas de uma coisa tenho a certeza, não posso passar sem a poesia.
Sempre que faço um aniversário edito o poema com que comecei o blog, nem sei porque escolhi este.
Disseste que vinhas E não chegaste Mudaste de planos,ok
Mas isso deitou-me tão abaixo Espero que tenhas pensado bem Estou triste que só eu sei Preciso de alguém
Chaminés pretas deslizam Nas janelas de mais um comboio Casas e pessoas Feias árvores falidas E um céu angustiado Tal é o meu quadro Estou bem chateado
E agora toca a arranjar o buraco Que eu tenho no coração Vou mudar de cenário Que a coisa assim está mal parada Vou procurar calor Mudar de estação
Há-de vir alguém Ao meu encontro na estrada
Pensei tanto em ti Que não calculas De manhã, à tarde e ao anoitecer
Andava louco de contente Só com a ideia de te voltar a ver Ahh, mas que grande idiota Voltei a perder
Procuro no fumo e no vinho A forma de chegar depressa à fronteira Mas sei muito bem que a dor que sinto no peito Não vai com a bebedeira Pus-me a voar a cair Da pior maneira
E agora toca a arranjar o buraco Que eu tenho no coração Vou mudar de cenário Que a coisa assim está mal parada Vou procurar calor Mudar de estação
Há-de vir alguém Ao meu encontro na estrada Há-de vir alguém Ao meu encontro na estrada
Não consigo perdoar nem a ti nem a vida Por negarem-me a oportunidade De descobrir em teu corpo Todo o mistério do universo...
Por que não pude beijar teus seios Fontes de amor e vida? Por que não pude beijar tua alma Pela janela da tua feminilidade? Por que não pude sentir por dentro O mais recôndito do teu corpo Mesmo que fosse por entre fios de látex?
Negar a realização do amor que nos bate à porta É crime de lesa-natureza... E tu serás cobrada por essa recusa Quando perceberes que as efêmeras paixões Que hoje te animam o ser São apenas pálidos reflexos Do que podias Ter e recusaste.
Por causa de tua negativa As estrelas se quedaram silentes; A lua ficou triste, encabulada; O sol amanheceu constrangido.
Toda a natureza sentiu-se negada Pela simples volição de uma mortal! Que poder é esse que o Homem tem De negar o Ser, de recusar-se a criar?
Que poder é esse que te foi dado De negares a realização do amor? Já pensaste que tu poderás querer (e não Ter) justamente o amor que te foi oferecido e que tu simplesmente recusaste?
A tua recusa constrangeu todo o Olimpo Aliás, dos deuses gregos aos romanos De Eros a Afrodite... Deixaste desconcertado o Cupido Profanaste o altar de Vênus.
Mas podes crer que Zeus Que jamais permitiu tanta soberba De uma simples mortal (embora linda) Vai cunhar em etéreas plagas A sentença que encimará tua imagem de mulher E a de todas iguais a ti: "Aqui jaz, neste corpo de mulher o amor estéril que não se pode realizar..."
E esta será tua sina: Ensinar a todas as mulheres Que ao amor não se pode nada negar.
Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos. O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se encontra no curso previsível da vida. Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual, então as coisas são outras. Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso: um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios.
Just before our love got lost you said I am as constant as the northern star And I said, constantly in the darkness Where's that at If you want me I'll be in the bar
On the back of a cartoon coaster In the blue TV screen light I drew a map of Canada Oh, Canada With your face sketched on it twice
Oh, you're in my blood like holy wine You taste so bitter and you taste so sweet Oh, I could drink a case of you, darling And still be on my feet I'd still be on my feet
Oh, I am a lonely painter I live in a box of paints I'm frightened by the devil And I'm drawn to those ones that ain't I remember that time you told me Love is touching souls Surely you touched mine Part of you pours out of me In these lines from time to time
Oh, you're in my blood like holy wine You taste so bitter and you taste so sweet Oh, I could drink a case of you, I could drink a case of you, darling And still be on my feet And still be on my feet
I met a woman she had a mouth like yours She knew your life She knew your devils and your deeds And she said, go to him Stay with him if you care But be prepared to bleed
Oh, you're in my blood like holy wine You taste so bitter and you taste so sweet Oh, I could drink a case of you, darling And still be on my feet I'd still be on my feet
Nunca choraremos bastante quando vemos O gesto criador ser impedido Nunca choraremos bastante quando vemos Que quem ousa lutar é destruído Por troças por insídias por venenos E por outras maneiras que sabemos Tão sábias tão subtis e tão peritas Que não podem sequer ser bem descritas.
Esperança: isto de sonhar bom para diante eu fi-lo perfeitamente, Para diante de tudo foi bom bom de verdade bem feito de sonho podia segui-lo como realidade
Esperança: isto de sonhar bom para diante eu sei-o de cor. Até reparo que tenho só esperança nada mais do que esperança pura esperança esperança verdadeira que engana e promete e só promete. Esperança: pobre mãe louca que quer pôr o filho morto de pé?
Esperança único que eu tenho não me deixes sem nada promete engana engano que seja engana não me deixes sozinho esperança.