sábado, julho 07, 2012

Ternura



Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada, 
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade! 
Há restos de ternura pelo meio, 
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobre veio...


Começas a vestir-te, lentamente, 
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo... 


Mas ninguém sonha a pressa com que nós a despimos 
assim que estamos sós!


David Mourão-Ferreira


Imagem retirada do Google

5 comentários:

Paula Raposo disse...

Adoro!

Fatyly disse...

Lindíssimo!

Beijocas e um bom sábado

Observador disse...

A ternura escrita por Mourão-Ferreira.
E bem.

Bj

Nilson Barcelli disse...

Mais uma excelente escolha poética.
Isabel, querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.

Jota Effe Esse disse...

E ninguém sonha porque ninguém viveu esse momento único. Meu beijo.