segunda-feira, julho 25, 2011

Corpo e terra



Vejo o corpo grande, na solidão ignorada,
na sua alvura larga, toalha viva e água,
na banheira cantando como é larga a sua mulher!
Sem destino oiço o sol e as janelas abertas,
oiço um corpo extenso, branco, volumoso,
abraçando a madeira, abraço a carne, a terra viva.

Entrar em ti, mulher ó lâmpada de seda,
abrir-me na paisagem de um só tronco com boca,
encrespar as planícies da tua pele ondulada,
ó como o mar é claro nesta onda deitada!

Ó como eu sou um homem no meio-dia claro!

Os seus seios louros (ó cor só de sonhá-la)
entre o branco e o negro, ó rósea sedução,
deitado à tua sombra respiro mamilos plenos
a obscura densa suave oscilação

Estou preso a estas linhas de espaço e de ternura
Tremendo na montanha fina da carne plena

Murmúrio tão intenso e a água sempre bela!
A casa branca, gloriosa e simples.
Aberto o vale diante da janela,
a mesa com os frutos e a claridade da água
na jarra ao centro, as árvores no azul!

António Ramos Rosa

Imagem retirada do Google

2 comentários:

Fatyly disse...

Não conhecia e como sempre fiquei fascinada. Sonante e muito tocante!

Beijocas e um bom dia

Observador disse...

António Ramos Rosa.
Começo a gostar, Isabel.

:)