quinta-feira, janeiro 20, 2011

Nocturno



Eram, na rua, passos de mulher.
Era o meu coração que os soletrava.
Era, na jarra, além do malmequer,
espectral o espinho de uma rosa brava...

Era, no copo, além do gim, o gelo;
além do gelo, a roda de limão...
Era a mão de ninguém no meu cabelo.
Era a noite mais quente deste verão.

Era no gira-discos, o Martirio
de São Sebastião, de Debussy....
Era, na jarra, de repente, um lirio!
Era a certeza de ficar sem ti.

Era o ladrar dos cães na vizinhança.
Era, na sombra, um choro de criança...

David Mourão-Ferreira

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Paula Raposo disse...

Uma maravilha!
Beijos.

Observador disse...

Comentar David Mourão-Ferreira é ser repetitivo.

São sempre grandes trabalhos.

Bj

Fatyly disse...

Bateu forte! Adorei!

Beijocas