quarta-feira, abril 23, 2008

Dia do livro-Ary dos Santos



Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutro pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho ás palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever um sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte faz
devorar um jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce á rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chegar ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia
como se fosse uma mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.

6 comentários:

Carla disse...

apenas para dizer que adorei...afinal Ary é apenas um dos meus poetas preferidos
beijos

Luis Neves disse...

Muitos Parabéns por fazerem o vosso blog , que também é meu como vosso leitor diário. É muito bom vir até aqui visitar este grande "livro" ou "palco", e conhecer todos os poetas que as duas meninas nos têm apresentado aqui, sempre com grande qualidade.
A música e as fotos também são muito boas , têm muito bom gosto.

peciscas disse...

Ary, Ary, poeta grande, que gritou e cumpriu:"Poeta castrado, NÂO!"
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

E ele teve mil vozes e soube usar as palavras como ninguém. Não só na luta,como também na emoção dos sentimentos.

biazinha disse...

Tenho inveja de quem escreve poesia, pois é um dom de se falar muito através de poucas palavras por maior que seja o poema.
O poeta é aquele que mergulha nas emoções e consegue se transportar e vivenciar até aquilo que nunca viveu.
Quando eu for gente grande tomar que eu escreva tão bem quanto você!

Bjuxxx.

papagueno disse...

O poeta é sempre original.
Bjks

Paula Raposo disse...

Perfeita escolha! Sublime poema!