quarta-feira, setembro 12, 2012

Estar só é estar no íntimo do mundo



Por vezes   cada objecto  se ilumina 
do que no passar é pausa íntima 
entre sons minuciosos que inclinam 
a atenção para uma cavidade mínima 
E estar assim tão breve e tão profundo 
como no silêncio de uma planta 
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice 
ou na alvura de um sono que nos dá 
a cintilante substância do sítio 
O mundo inteiro assim cabe num limbo 
e é como um eco límpido e uma folha de sombra 
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes 
E é astro imediato de um lúcido sono 
fluvial e um núbil eclipse 
em que estar só é estar no íntimo do mundo.

António Ramos Rosa

Imagem retirada do Google

2 comentários:

Fatyly disse...

Profundo e real. Gostei muito!

Beijocas

Observador disse...

Tornei-me fã de António Ramos Rosa.
E a culpa é tua.
:)
Bj