sexta-feira, agosto 12, 2011

Crónica do náufrago adormecido nos braços de uma sereia



Escutam-se nos seus cabelos as ondas
do mar como se os abismos trouxessem o eco
dos peixes beijando-se em camas de algas
e os pescadores fossem deuses a invadir búzios
reinos de silêncios quebrando o encanto
da água exposta na luz dos espelhos
com o sexo à flor da pele palpitando
por entre os olhos da natureza a chamar
sempre ao longe como se pudesse convencer
um corpo a ficar eternamente abraçado
a outro corpo no lugar onde é possível
construir a casa habitar o tempo e sorrir
aos pássaros que passam na rota do sol
sim é possível escutar as ondas batendo
na rocha macia dos seus cabelos soltos ao vento


José António Gonçalves

Imagem retirada do google

3 comentários:

N. Barcelli disse...

Não conheço o autor, mas o poema é excelente.
Querida amiga Isabel, tem um bom fim de semana.
Beijo.

A.J.Faria disse...

Olá!
Bom momento de poesia!
Depois de longa ausencia, foi passar por aqui.

Desejo-te tudo de bom!

Um velho amigo!
Abraço

Fatyly disse...

Adorei mais a foto que é linda do que o poema... um bocado confuso:(

Beijocas