quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Paraíso



Deixa ficar comigo a madrugada, 
para que a luz do Sol me não constranja. 
Numa taça de sombra estilhaçada, 
deita sumo de lua e de laranja. 

Arranja uma pianola, um disco, um posto, 
onde eu ouça o estertor de uma gaivota... 
Crepite, em derredor, o mar de Agosto... 
E o outro cheiro, o teu, à minha volta! 

Depois, podes partir. Só te aconselho 
que acendas, para tudo ser perfeito, 
à cabeceira a luz do teu joelho, 
entre os lençóis o lume do teu peito... 

Podes partir. De nada mais preciso 
para a minha ilusão do Paraíso. 

David Mourão-Ferreira


Imagem retirada do Google

2 comentários:

Observador disse...

Paradise is now, here.
Muito bom.

Bjs

Fatyly disse...

Para mim este poema do David é um dos mais belos da sua vasta obra!

Beijocas