terça-feira, maio 12, 2009

Um sorriso para Cibele



Aqui não há nada, Cibele,
a não ser uma alameda estreita
com renques de flores à esquerda e à direita.

As flores são daquelas de que eu não gosto, Cibele.
Pretensiosas.
Zínias, dálias, crisântemos, margaridas e rosas.
As flores de que eu gosto são das que ninguém planta nem semeia,
daquelas que a gente passa e diz: "Olhe, faz-me favor.
Sabe-me dizer como se chama esta flor?"

Não gosto delas, não,
mas à falta de melhor, Cibele,
é nelas que cevo a minha solidão.

Todas as manhãs quando aqui passo para as ver
acaricio-as à flor da pele
e balbucio as palavras que ficaram por dizer.

Assim se vai passando o tempo, Cibele.

António Gedeão, in"Poesia Completa António Gedeão", pág.143, Ed. João Sá da Costa LDA

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Fatyly disse...

As flores de que eu gosto são das que ninguém planta nem semeia,
daquelas que a gente passa e diz: "Olhe, faz-me favor.
Sabe-me dizer como se chama esta flor?"
.............
este é um dos poemas mais belos de Gedeão:)

Adorei reler!

Beijos e um BOM DIA

Alien8 disse...

Wind,

Andei por aqui a ler.
Gostei bastante do haiku e da foto que o ilustra.

Do resto também, claro, mas apetece-me destacar o haiku do Manuel Filipe.

Um beijo.

peciscas disse...

Rem razão o velho mestre.
Essas flores sem nome são as que mais aprecio.