sábado, julho 25, 2015

"Poema"?

Existe um programa ao sábado de manhã na SIC que se chama “Alta Definição”. É conduzido por Daniel Oliveira e onde os entrevistados se “despem” da maquilhagem, de tudo e são eles próprios.

Esta introdução porquê?
Não sou uma pessoa que escreva, aliás nem gosto, mas no princípio deste mês com um pouco de depressão, apeteceu-me escrever o que sentia e deixar sair, foi tudo de seguida.

Atenção, chamei a isto “Poema”, mas não tem rima, não tem ritmo, nada adequado a um poema:)
Partilho só porque pode haver pessoas como eu que precisem saber exprimir o que está escrito e que não conseguem. Eu só consegui  agora.

E pode haver familiares que entendam algum do comportamento de alguém que seja depressivo, mas que esteja sob controle.

Poema
  
Não sou poeta                                                                               
Aliás nunca quis ser poeta.
Como poderia sê-lo se tenho duas mãos esquerdas?
E isso é o oposto de ser artista
E o poeta é um artista, tem de sê-lo.
Um livre-pensador, com ou sem rimas
Escreve uma história com princípio meio e fim.
Se eu fosse poeta
Podia escrever sobre muita coisa
Mas não sou.
Assim fico-me pelos pensamentos
Que voam a 200km à hora
Mais depressa do que escrevo,
E isso não acontecia se fosse poeta.
Mas não sou poeta
Nunca vou ser poeta
Limito-me a sentir a poesia
De quem é poeta.
E sinto uma inveja terrível
De quem é poeta
E escreve no papel
Muita coisa que se passa na minha cabeça
E eu não consigo escrever.
Afinal não sou poeta,
Que fazer?
Continuar com duas mãos esquerdas
E continuar a viver.

Se eu fosse poeta
Podia escrever as minhas depressões
As minhas tristezas,
Coisas que me fazem chorar,
Coisas que disfarço,
Coisas que nem a mim conto.
Mas não sou poeta.
Se eu fosse poeta,
Talvez não tivesse duas mãos esquerdas,
Não seria se calhar
Depressiva, triste, chata, intragável,
Ao ponto de nem me aturar
E de afastar os outros.
Só que não sou poeta
E sou depressiva, chata, intragável
Já nem sei onde deixei o meu outro eu
Que não era poeta
Só se metia em confusões
Mas vivia a vida.
Mais valia ser poeta
Ser artista
Não ter duas mãos esquerdas
E saber onde é que o tempo me apanhou
Quando deixei de viver o tempo
E quando ele passou por mim
Sem eu dar por isso.
Mas eu não sou poeta
e tenho duas mãos esquerdas.


Isabel Cruz  aka Wind -  Julho 2015

Aqui fica uma foto minha sem Máscaras:)

sexta-feira, julho 24, 2015

segunda-feira, julho 20, 2015

sábado, julho 18, 2015

Xutos & Pontapés - Para sempre



Uma das músicas mais bonitas dos Xutos.

quinta-feira, julho 16, 2015

segunda-feira, julho 06, 2015

sábado, julho 04, 2015

Murmúrios do mar




Paga-me um café e
conto-te a minha vida" o inverno avançava
nessa tarde em que te ouvi assaltado por dores
o céu quebrava-se aos disparos de uma criança
muito assustada que corria o vento batia-lhe no
rosto com violência a infância inteira disso me
lembro outra noite cortaste o sono da casa
com frio e medo apagavas cigarros nas palmas das
mãos e os que te viam choravam mas tu
,não,nunca choraste por amores que se perdem os
naufrágios são belos sentimo-nos tão vivos entre as
ilhas ,acreditas? E temos saudades desse mar
que derruba primeiro no nosso corpo tudo o que
seremos depois "pago-te um café se me contares
o teu amor".

José Tolentino Mendonça

Imagem retirada do Google

quinta-feira, julho 02, 2015

A Solidão



A noite abre os seus ângulos de lua
E em todas as paredes te procuro

A noite ergue as suas esquinas azuis
E em todas as esquinas te procuro

A noite abre as suas praças solitárias
E em todas as solidões eu te procuro

Ao longo do rio a noite acende as suas luzes
Roxas verdes azuis.

Eu te procuro.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Imagem retirada do Google