segunda-feira, maio 28, 2012

Última Canção




Se puderes ainda
ouve-me, rio de cristal, ave
matutina. ouve-me,
luminoso fio tecido pela neve,
esquivo e sempre adiado
aceno do paraíso.
Ouve-me, se puderes ainda,
Devastador desejo,
fulvo animal de alegria.
Se não és alucinação
ou miragem ou quimera, ouve-me
ainda: vem agora
e não na hora da nossa morte
- dá-me a beber a própria sede.


Eugénio de Andrade

Imagem retirada do Google

2 comentários:

Fatyly disse...

Mais uma grande mensagem poética!!!! Adorei!

Beijos e um bom dia

Observador disse...

Nada melhor que um simples "gostei"!

Bj