terça-feira, maio 22, 2012

Na mesa do Santo Ofício




Tu lhes dirás, meu amor, que nós não existimos.
Que nascemos da noite, das árvores, das nuvens.
Que viemos, amámos, pecámos e partimos
Como a água das chuvas.

Tu lhes dirás, meu amor, que ambos nos sorrimos
Do que dizem e pensam
E que a nossa aventura,
É no vento que passa que a ouvimos,
É no nosso silêncio que perdura.

Tu lhes dirás, meu amor, que nós não falaremos
E que enterrámos vivo o fogo que nos queima.
Tu lhes dirás, meu amor, se for preciso,
Que nos espreguiçaremos na fogueira.

Ary dos Santos


Foto:Eli

2 comentários:

Fatyly disse...

Um poema fabuloso de quem deixou tantas saudades. Boa escolha:)

Beijocas e um bom dia


não atino com as letras já vou na 7ª tentativa:(

Observador disse...

Tinha que ser!

José Carlos Ary dos Santos.

Está tudo dito. E escrito.

Bj