terça-feira, julho 22, 2014

Quando



Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar 
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta.
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Imagem retirada do Google

3 comentários:

Fatyly disse...

Amante da liberdade e da natureza...excelente!

Um bom dia

Beijocas

FireHead disse...

Escrevi um novo poema anteontem. Já está disponível nos meus dois outros blogues. :)

Observador disse...

Não leio Sophia há algum tempo. Tenho que me actualizar porque fazer o que faço não é desculpável.