Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do lume.
Eugénio de Andrade
Foto:Janusz Taras
Demónios, quem não os tem? Vivem debaixo de certas saias ou em recantos sombrios do pensamento. Às vezes, são espalmados entre o umbigo e a cinta tamanho 36 para um rabo 40. Outras vezes, andam pendurados em colares vistosos. Em dias de Verão, ficam translucidos em tons de creme solar. Em dias de Inverno, agasalham-se por baixo dos capachinhos.
Demónios, quem não os tem? Incansáveis, acompanham a mente de noite e de dia ou surgem do nada devido a um cheiro que se impõe, uma visão que não se esquece, um ruído que ensurdece nas entranhas. São macro-seres incontroláveis que subjugam ou são micro-seres que se deixam dominar.
Demónios, quem não os tem? Às vezes, de carne e osso: uma pessoa assombrou outra, que se deixa esmorecer, sem capacidade para regressar ao sol. Outras vezes, apenas hologramas de momentos, de futuros imaginados que se acreditam ser possíveis no presente.
Demónios, quem não os tem? Durante muito tempo, deixei-os invadir-me sem conseguir reagir, mas houve um dia em que consegui olhá-los nos olhos, um a um, e o que vi nem queiras saber... Serás capaz de encarar os teus fantasmas sem desviar o olhar?
Jacky (27.06.2007)
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