"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer." Einstein
queres? queres algo? queres desejar? desejas querer? desejas-me? desejas querer-me? queres desejar-me? queres querer-me? queres que te deseje? desejas que te queira? queres que te queira?
quanto me queres? quanto me desejas? ah quanto te quero quando te quero quando me queres...
Odeio o uso do modo imperativo. Se me dizem, cala-te!, eu canto. Se me dizem esconde-te!, eu exponho-me. Quando me ordenam que me vista, me desnudo. Se me mandam expor, vou pró meu canto. Quando me querem falante, eu sou muda. Se me fazem gritar, eu silencio. Se me tentam excitar eu fico queda, Se me querem gelada, fico em cio.
Sou égua de raça pura e alma leda, Crinas ao vento e ventas de fome, À espera de um jokey que me dome.
Quem julga que me domou, bem se engana. Que eu só sonho... na minha própria cama.
A tua pura integridade delicada a tua permanente adolescência de segredo a tua fragilidade acesa sempre altiva Por ti eu sou a leve segurança de um peito que pulsa e canta a sua chama que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro ou à chuva das tuas pétalas de prata Se guardo algum tesouro não o prendo porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto que dure e flua nas tuas veias lentas e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva para que sintas a verde frescura de um pomar de brancas cortesias porque é por ti que vivo é por ti que nasço porque amo o ouro vivo do teu rosto.
O melhor beijo é o beijo desejado, o beijo que me completa, o beijo da minha forma adequada, o beijo com o sabor do desejo na flor da minha pele, o beijo da minha vontade, o beijo que faz o meu pensamento, o beijo que faz a minha boca e meu corpo querer um novo beijo outra vez e mais outra vez. O melhor beijo é o beijo sem tempo, o beijo de longa duração ou de pouca duração, um beijo de vinte segundos ou de vinte minutos, isto não importa. O tempo não conta, enquanto se beija o tempo para, o tempo freia. E nesta inércia do tempo só sinto a louca vontade do outro. Sinto a outra língua que de encontro com a minha faz um passeio suave e excitante umedecendo minha alma. Sinto a língua que viaja dos dentes ao céu da boca. Sinto a língua que acarinha os meus lábios. A língua e a língua... A língua que me roça, que me percorre, que me navega e que me lambe... O melhor beijo é o beijo em que a língua faz o beijo e o beijo faz o sexo.
Vi a reportagem na SIC e chamei nomes sózinha. Entretanto a Caracolinha avisou-me para passar palavra afim de assinar a petição que se encontra no fim deste link , que explica o que sucedeu.
Leiam por favor e assinem, porque aquilo não é uma pessoa, é um bárbaro!
Não sei como vieste, mas deve haver um caminho para regressar da morte. Estás sentada no jardim, as mãos no regaço cheias de doçura, os olhos pousados nas últimas rosas dos grandes e calmos dias de setembro.
Que música escutas tão atentamente que não dás por mim? Que bosque, ou rio, ou mar? Ou é dentro de ti que tudo canta ainda?
Queria falar contigo, dizer-te apenas que estou aqui, mas tenho medo, medo que toda a música cesse e tu não possas mais olhar as rosas. Medo de quebrar o fio com que teces os dias sem memória.
Com que palavras ou beijos ou lágrimas se acordam os mortos sem os ferir, sem os trazer a esta espuma negra onde corpos e corpos se repetem, parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim, ó cheia de doçura, sentada, olhando as rosas, e tão alheia que nem dás por mim.
Marta, Protagonista da tragédia ideada E que eu não fiz, De esperara que eu a criasse, No meu intuito adormeceu feliz. Dormiam lá também o sono antigo Ilda, Miguel, A lírica Raquel, E todos quantos Acham não ser comigo.
Aromas só E pó antes do pó.
Agora chamo-a em vão, Como quem vê levar, E não entende, Um filho no caixão. E absurdo, alta noite, Invoco a que se esconde: Marta! Marta! Onde estás?
Sinto que hoje novamente embarco Para as grandes aventuras, Passam no ar palavras obscuras E o meu desejo canta --- por isso marco Nos meus sentidos a imagem desta hora.
Sonoro e profundo Aquele mundo Que eu sonhara e perdera Espera O peso dos meus gestos.
E dormem mil gestos nos meus dedos.
Desligadas dos círculos funestos Das mentiras alheias, Finalmente solitárias, As minhas mãos estão cheias De expectativa e de segredos Como os negros arvoredos Que baloiçam na noite murmurando.
Ao longe por mim oiço chamando A voz das coisas que eu sei amar.
Ligo directo para a caixa de correio só para ouvir a tua voz, Sei que é cena fora mas todo o dia chega a hora em que o lado esquerdo chora quando se lembra de nós A vida corre tranquila, cada vez menos reguila meto guita de parte e a cabeça não vacila tanto Para minha alegria e meu espanto Pode ser que o passado fique por onde deve estar: No pretérito imperfeito, já que não é mais-que- perfeito, Este é um presente que eu aceito Para atingir a tranquilidade Que supostamente se atinge com a nossa idade A verdade é que a saudade do que passou Não é mais que muita... Mas por muita força que faça ela passa por saber que te vivi... Tu deste tudo e eu joguei, arrisquei e perdi Agora,
Muda o teu número, eu mudei o meu, Muda o teu número, eu mudei o meu, Muda o teu número, eu mudei o meu, Muda o teu Mundo que eu mudei o meu.
Cada vez que eu ligo tento deixar mensagem mas acabo por nunca arranjar a coragem Necessária Gostava apenas de partilhar contigo o quotidiano habitual Nada que se compare com as correrias doutras alturas e doutros abismos E já que falo por eufemismos Gostava de dizer que ainda gosto bastante de ti... A casa tá diferente, parece digna de gente Dá gosto sentar no sofá com a tv pela frente Comprei uma máquina de café Xpto, bem bonita, azul bebé Ocasionalmente cozinho e bebo o meu vinho E esqueço o fumo que nos dava aquele quentinho Hoje em dia é mais à base do ar condicionado Condicionei a tentação num clima controlado Quero que saibas que tou bem, sei que tu mais ou menos Sempre gostaste de brincar em perigosos terrenos Em relação a isso eu não sei o que fazer E se calhar é por isso mesmo que acabo por não dizer que a verdade é que a saudade do que passou Não é mais que muita... Mas por muita força que faça ela passa por saber que te vivi... Tu deste tudo e eu joguei, arrisquei e perdi Agora,
Muda o teu número, eu mudei o meu, Muda o teu número, eu mudei o meu, Muda o teu número, eu mudei o meu, Muda o teu Mundo que eu mudei o meu.
Quanto de ti, amor, me possuiu no abraço em que de penetrar-te me senti perdido no ter-te para sempre - Quanto de ter-te me possui em tudo o que eu deseje ou veja não pensando em ti no abraço a que me entrego - Quanto de entrega é como um rosto aberto, sem olhos e sem boca, só expressão dorida de quem é como a morte - Quanto de morte recebi de ti, na pura perda de possuir-te em vão de amor que nos traiu - Quanta traição existe em possuir-se a gente sem conhecer que o corpo não conhece mais que o sentir-se noutro - Quanto sentir-te e me sentires não foi senão o encontro eterno que nenhuma imagem jamais separará - Quanto de separados viveremos noutros esse momento que nos mata para quem não nos seja e só - Quanto de solidão é este estar-se em tudo como na auséncia indestrutível que nos faz ser um no outro - Quanto de ser-se ou se não ser o outro é para sempre a única certeza que nos confina em vida - Quanto de vida consumimos pura no horror e na miséria de, possuindo, sermos a terra que outros pisam - Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti, recebo gratamente como se recebe não a morte ou a vida, mas a descoberta de nada haver onde um de nós não esteja.
Morrer sem deixar o triste despojo da carne, A exangue máscara de cera, Cercada de flores, Que apodrecerão - felizes! - num dia, Banhada de lágrimas Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.
Morrer sem deixar porventura uma alma errante... A caminho do céu? Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?
Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra, A lembrança de uma sombra Em nenhum coração, em nenhum pensamento, Em nenhuma epiderme.
Morrer tão completamente Que um dia ao lerem o teu nome num papel Perguntem: "Quem foi?..."
Morrer mais completamente ainda, - Sem deixar sequer esse nome.
Morrer. Morrer de corpo e de alma. Completamente.
Morrer sem deixar o triste despojo da carne, A exangue máscara de cera, Cercada de flores, Que apodrecerão - felizes! - num dia, Banhada de lágrimas Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.
Morrer sem deixar porventura uma alma errante... A caminho do céu? Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?
Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra, A lembrança de uma sombra Em nenhum coração, em nenhum pensamento, Em nenhuma epiderme.
Morrer tão completamente Que um dia ao lerem o teu nome num papel Perguntem: "Quem foi?..."
Morrer mais completamente ainda, - Sem deixar sequer esse nome.
Árvores negras que falais ao meu ouvido, Folhas que não dormis, cheias de febre, Que adeus é este adeus que me despede E este pedido sem fim que o vento perde E esta voz que implora, implora sempre Sem que ninguém lhe tenha respondido?
Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face?
Cecília Meireles
Foto:Pogolsha Mishails
Este blog faz hoje 3 anos. Não sei como ainda dura porque nunca fui de ligações "amorosas" duradouras:)
Nestes 3 anos muita coisa aconteceu, conheci pessoas, cortei com outras, já comentei muito, agora comento pouco, mas de uma coisa tenho a certeza, não posso passar sem a poesia.
Sempre que faço um aniversário edito o poema com que comecei o blog, nem sei porque escolhi este.
Disseste que vinhas E não chegaste Mudaste de planos,ok
Mas isso deitou-me tão abaixo Espero que tenhas pensado bem Estou triste que só eu sei Preciso de alguém
Chaminés pretas deslizam Nas janelas de mais um comboio Casas e pessoas Feias árvores falidas E um céu angustiado Tal é o meu quadro Estou bem chateado
E agora toca a arranjar o buraco Que eu tenho no coração Vou mudar de cenário Que a coisa assim está mal parada Vou procurar calor Mudar de estação
Há-de vir alguém Ao meu encontro na estrada
Pensei tanto em ti Que não calculas De manhã, à tarde e ao anoitecer
Andava louco de contente Só com a ideia de te voltar a ver Ahh, mas que grande idiota Voltei a perder
Procuro no fumo e no vinho A forma de chegar depressa à fronteira Mas sei muito bem que a dor que sinto no peito Não vai com a bebedeira Pus-me a voar a cair Da pior maneira
E agora toca a arranjar o buraco Que eu tenho no coração Vou mudar de cenário Que a coisa assim está mal parada Vou procurar calor Mudar de estação
Há-de vir alguém Ao meu encontro na estrada Há-de vir alguém Ao meu encontro na estrada
Não consigo perdoar nem a ti nem a vida Por negarem-me a oportunidade De descobrir em teu corpo Todo o mistério do universo...
Por que não pude beijar teus seios Fontes de amor e vida? Por que não pude beijar tua alma Pela janela da tua feminilidade? Por que não pude sentir por dentro O mais recôndito do teu corpo Mesmo que fosse por entre fios de látex?
Negar a realização do amor que nos bate à porta É crime de lesa-natureza... E tu serás cobrada por essa recusa Quando perceberes que as efêmeras paixões Que hoje te animam o ser São apenas pálidos reflexos Do que podias Ter e recusaste.
Por causa de tua negativa As estrelas se quedaram silentes; A lua ficou triste, encabulada; O sol amanheceu constrangido.
Toda a natureza sentiu-se negada Pela simples volição de uma mortal! Que poder é esse que o Homem tem De negar o Ser, de recusar-se a criar?
Que poder é esse que te foi dado De negares a realização do amor? Já pensaste que tu poderás querer (e não Ter) justamente o amor que te foi oferecido e que tu simplesmente recusaste?
A tua recusa constrangeu todo o Olimpo Aliás, dos deuses gregos aos romanos De Eros a Afrodite... Deixaste desconcertado o Cupido Profanaste o altar de Vênus.
Mas podes crer que Zeus Que jamais permitiu tanta soberba De uma simples mortal (embora linda) Vai cunhar em etéreas plagas A sentença que encimará tua imagem de mulher E a de todas iguais a ti: "Aqui jaz, neste corpo de mulher o amor estéril que não se pode realizar..."
E esta será tua sina: Ensinar a todas as mulheres Que ao amor não se pode nada negar.