"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer." Einstein
Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos. O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se encontra no curso previsível da vida. Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual, então as coisas são outras. Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso: um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios.
Just before our love got lost you said I am as constant as the northern star And I said, constantly in the darkness Where's that at If you want me I'll be in the bar
On the back of a cartoon coaster In the blue TV screen light I drew a map of Canada Oh, Canada With your face sketched on it twice
Oh, you're in my blood like holy wine You taste so bitter and you taste so sweet Oh, I could drink a case of you, darling And still be on my feet I'd still be on my feet
Oh, I am a lonely painter I live in a box of paints I'm frightened by the devil And I'm drawn to those ones that ain't I remember that time you told me Love is touching souls Surely you touched mine Part of you pours out of me In these lines from time to time
Oh, you're in my blood like holy wine You taste so bitter and you taste so sweet Oh, I could drink a case of you, I could drink a case of you, darling And still be on my feet And still be on my feet
I met a woman she had a mouth like yours She knew your life She knew your devils and your deeds And she said, go to him Stay with him if you care But be prepared to bleed
Oh, you're in my blood like holy wine You taste so bitter and you taste so sweet Oh, I could drink a case of you, darling And still be on my feet I'd still be on my feet
Nunca choraremos bastante quando vemos O gesto criador ser impedido Nunca choraremos bastante quando vemos Que quem ousa lutar é destruído Por troças por insídias por venenos E por outras maneiras que sabemos Tão sábias tão subtis e tão peritas Que não podem sequer ser bem descritas.
Esperança: isto de sonhar bom para diante eu fi-lo perfeitamente, Para diante de tudo foi bom bom de verdade bem feito de sonho podia segui-lo como realidade
Esperança: isto de sonhar bom para diante eu sei-o de cor. Até reparo que tenho só esperança nada mais do que esperança pura esperança esperança verdadeira que engana e promete e só promete. Esperança: pobre mãe louca que quer pôr o filho morto de pé?
Esperança único que eu tenho não me deixes sem nada promete engana engano que seja engana não me deixes sozinho esperança.
Rosa e todas as rimas Rosa e os perfumes todos Rosa no florindo espelho Rosa na brancura branca Rosa no carmim da hora Rosa no brinco e pulseira Rosa no deslumbramento Rosa no distanciamento Rosa no que não foi escrito Rosa no que deixou de ser dito Rosa pétala a pétala despetalirosada
Não sei que diga. E a quem o dizer? Não sei que pense. Nada jamais soube. Nem de mim, nem dos outros. Nem do tempo, do céu e da terra, das coisas... Seja do que for ou do que fosse. Não sei que diga, não sei que pense. Oiço os ralos queixosos, arrastados. Ralos serão? Horas da noite. Noite começada ou adiantada, noite. Como é bonito escrever! Com este longo aparo, bonitas as letras e o gesto o jeito. Ao acaso, sem âncora, vago no tempo. No tempo vago... Ele vago e eu sem amparo. Piam pássaros, trespassam o luto do espaço, este sereno luto das horas. Mortas! E por mais não ter que relatar me cerro. Expressão antiga, epistolar: me cerro. Tão grato é o velho, inopinado e novo. Me cerro! Assim: uma das mãos no papel, dedos fincados, solta a outra, de pena expectante. Uma que agarra, a outra que espera... Ó ilusão! E tudo acabou, acaba. Para quê a busca das coisas novas, à toa e à roda? Silêncio. Nem pássaros já, noite morta. Me cerro. Ó minha derradeira composição! Do não, do nem, do nada, da ausência e solidão. Da indiferença. Quero eu que o seja! da indiferença ilimitada. Noite vasta e contínua, caminha, caminha. Alonga-te. A ribeira acordou.
No silêncio da terra.Onde ser é estar. A sombra se inclina. Habito dentro da grande pedra de água e sol. Respiro sem o saber,respiro a terra. Um intervalo de suavidade ardente e longa. Sem adormecer no sono verde. Afundo-me,sereno, flor ou folha sobre folha abrindo-se, respirando-me,flectindo-me no intervalo aberto.Não sei se principio. Um rosto se desfaz,um sabor ao fundo da água ou da terra, o fogo único consumindo em ar.
Eis o lugar em que o centro se abre ou a lisa permanência clara, abandono igual ao puro ombro em que nada se diz e no silêncio se une a boca ao espaço.
Pedra harmoniosa do abrigo simples, lúcido,unido,silencioso umbigo do ar.
Aí o teu corpo renasce à flor da terra. Tudo principia.
Haja névoa! Dancem os véus na minha alma (E externos nas luzes próximas, Que se recusam como estrelas na distância). Haja névoa! Paire nela a memória dos maníacos Sonhando na penumbra dos portais Assassínios brutais. Haja, haja névoa! Aqui e além no mar. No mar, nos mares, para que todas as viagens, Para que todos os barcos em todas as paragens, Na iminência dos naufrágios improváveis - Improváveis, possíveis -, Se gastem nos avisos aflitos Das luzes, dos rádios, dos radares, Dos gritos Dos apitos. Haja, haja névoa... Desgastem-se os contornos Das coisas excessivamente conhecidas. Não haja céu sequer. Névoa, só névoa! E eu, nas ruas distorcidas, Livre e tão leve Como se fosse eu próprio a névoa Da noite longa duma existência breve.
Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te vou perdendo a noção desta subtileza. Aqui chegado até eu venho ver se me apareço e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada De outras, esperei-me eu e não apareci embora bem procurado entre os mais que passavam. Se algum de nós vier hoje é já bastante como comboio e como subtileza Que dê o nome e espere. Talvez apareça.
A tinta verde cria jardins, selvas, prados, folhagens onde gorjeiam letras, palavras que são árvores, frases de verdes constelações.
Deixa que minhas palavras, ó branca, desçam e te cubram como uma chuva de folhas a um campo de neve, como a hera à estátua, como a tinta a esta página.
Braços, cintura, colo, seios, fronte pura como o mar, nuca de bosque no outono, dentes que mordem um talo de grama.
Teu corpo se constela de signos verdes, renovos num corpo de árvore. Não te importe tanta miúda cicatriz luminosa: olha o céu e sua verde tatuagem de estrelas.
Octávio Paz
Foto:Haleh Bryan
"Roubado" à Gi e mais uma vez aconselho a verem o seu magnífico blog, onde a Arte impera.